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QuasePoema – Cartas e Outras Escrituras Drummondianas

Carlos Drummond de Andrade entregou-se à poesia. Inundou o papel com seus sentimentos e presenteou os leitores com os mais belos versos. Mas ainda há outras facetas a descobrir sobre sua personalidade: cartas enviadas a familiares que mostram os seus mais íntimos pensamentos e experiências. Impregnadas de sabor poético, tais linhas mostram uma nova face do escritor. O poeta apaixonado e resguardado revela-se filho atencioso e carinhoso na exposição inédita “QuasePoema – Cartas e Outras Escrituras Drummondianas na Casa Fiat de Cultura”, de 18 de novembro de 2014 a 18 de janeiro de 2015, com entrada gratuita.

Sob curadoria de Marconi Drummond e Fabíola Moulin, a mostra relaciona a correspondência entre o poeta e a mãe com a poesia drummondiana. O seleto repertório de 88 documentos e cartas escritas por Drummond é do acervo do Memorial Carlos Drummond de Andrade e nunca antes foi apresentado ao público. A exposição conta, ainda, com 28 cartas escritas pela mãe do poeta, Dona Julieta Augusta Drummond, e pertencem ao Instituto Moreira Salles. Pela primeira vez, as correspondências, que se mantinham, respectivamente, nas mãos de um colecionador particular e na reserva técnica para restrita pesquisa, podem ser apreciadas pelos visitantes, que são convidados a entrar em um universo particular deste que é um dos grandes nomes da literatura brasileira.

Entre os documentos apresentados, estão relíquias como uma nota promissória do “Banco da Amizade”, em que o escritor enviou a sua cunhada a quantia de “365 dias felizes”, considerado o mais antigo manuscrito de Drummond de que se tem conhecimento, quando “Carlito”, como assina e era conhecido pelo círculo familiar, tinha apenas 13 anos. A ele se somam importantes cartas, como aquele em que o poeta comunica à mãe que o filho tão esperado por ele e a esposa nasceu morto, o anúncio de seu casamento, as dificuldades vividas no Rio de Janeiro no período da 2ª Guerra Mundial e a saudade que sente de Itabira (MG), sua terra natal.

A exposição é formada por sete salas, que convidam o público a entrar no cotidiano de Carlos Drummond de Andrade. Na primeira delas, são exibidos portraits do escritor, em grandes formatos, alusivos ao “poeta de sete faces”, da infância em Itabira do Mato Dentro à maturidade na cidade do Rio de Janeiro. Na sequência, em meio a uma revoada de cartas, o visitante tem seu primeiro contato com a família do poeta, a partir de uma grande fotografia. O cenário é inspirado no irreverente terno que Drummond usa em uma das fotos, feito de casimira listrada, tecido recebido como pagamento de seu trabalho como caixeiro. Ali também se encontra a nota promissória do “Banco da Amizade”, em que o poeta, ainda adolescente, enviou à cunhada a quantia de “365 dias felizes”, assinado como Carlito, seu carinhoso apelido nos círculos familiares.

O ambiente cria a atmosfera necessária para o visitante conhecer o universo familiar de Drummond e mergulhar na poesia da próxima sala. Nela, encontra-se o documentário “Consideração do Poema”, produzido pelo instituto Moreira Salles, em que importantes personalidades – como Caetano Veloso, Fernanda Torres, Gregório Duvivier, Drica Moraes, Laerte, Chico Buarque e Marília Pêra, entre outros – recitam, de forma emocionante, obras de Carlos Drummond de Andrade, fazendo o visitante encontrar-se em cada entrelinha escrita pelo poeta. Além disso, o filme traduz a grandeza da obra, capaz de aproximar os mais expressivos segmentos da produção artística brasileira.

Dali, o visitante torna-se parte da intimidade do poeta, ao ser apresentado à família Drummond de Andrade. Fotografias, documentos, cartas, poesias e fragmentos da memória revelam os laços familiares. Abrigada em mesas e vitrines, parte do acervo documental original pertence ao Memorial Carlos Drummond de Andrade, em Itabira. Recuperado no último ano, após ficar por décadas com um colecionador particular, é apresentado ao público pela primeira vez. Cartas manuscritas pelo poeta Carlos Drummond de Andrade à sua mãe, Julieta Augusta Drummond de Andrade, ocupam o lugar de centralidade na mostra.

Nelas, o público compartilhará de verdadeiros tesouros da vida do poeta, como o anúncio de seu casamento com Dolores, o nascimento da filha Maria Julieta, e, até mesmo, a dor relativa ao filho natimorto. Itabira, sua cidade natal, também está entre os tópicos das conversas. Carlos Drummond de Andrade retrata seu desgosto quando o município trocou de nome para “Getúlio Vargas”, e a felicidade quando esta voltou ao nome original. Também está, nas missivas, a preocupação com a chegada das mineradoras e o quanto o progresso poderia degradar e prejudicar sua amada cidade. A difícil fase vivida durante a 2ª Guerra Mundial também é compartilhada nas entrelinhas. Por fim, o racionamento de comida no Rio de Janeiro e as medidas de precaução com iluminação e segurança da então capital brasileira são citadas pelo escritor.

As cartas de Dona Julieta também podem ser conferidas pelo público, de forma inédita. Cedidas pelo Instituto Moreira Salles, o acervo, atualmente, está disponível na Instituição apenas para pesquisa de especialistas. As cartas serão projetadas em mesas de madeira antigas, uma alusão ao poema “A mesa”, permitindo um diálogo entre mãe e filho e revivendo momentos únicos da vida dos dois. Em suas linhas, dona Julieta se referia, principalmente, à família. Nelas, é possível encontrar a genealogia drummondiana, a doença de um dos filhos, os estudos da neta ou a preocupação com a filha Rosa, irmã de Carlito. Interessante notar que a literatura nunca está presente nas cartas da mãe, que se concentra apenas na vida familiar.

Alguns ambientes foram criados para que o visitante possa se aprofundar na poesia drummondiana. Uma instalação sonora permite que a voz do próprio poeta sussurre seus poemas no ouvido dos presentes. No espaço a ser percorrido pelo público, alternam-se poesias em diferentes dispositivos, em ambiente imersivo na obra poética de Drummond. Além disso, uma sala de leitura permite o acesso a obras desse importante poeta brasileiro. Livros do escritor estão disponíveis, para que seja possível permear sua vida pública e privada, fundindo-as em uma só.

Serviço

Exposição “quasepoema – cartas e outras escrituras Drummondianas na Casa Fiat de Cultura”

De 18 de novembro de 2014 a 18 de janeiro de 2015

Entrada Gratuita

Arte-educadores estão disponíveis ao público na galeria

Casa Fiat de Cultura – Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG. Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h – Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Informações (31) 3289-8900

www.casafiatdecultura.com.br

casafiat@casafiat.com.br

facebook.com.br/casafiatdecultura

Instagram:@casafiatdecultura

www.circuitoculturalliberdade.com.br

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