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Re-Conhecimento – A Gravura Norueguesa Contemporânea

Entre as paisagens nórdicas, a arte norueguesa, assim como a própria história escandinava, é ainda pouco explorada e conhecida no Brasil. Com o objetivo de apresentar a riqueza das referências artísticas e culturais da Noruega ao público brasileiro, a Casa Fiat de Cultura apresenta a exposição “Re-Conhecimento – A Gravura Norueguesa Contemporânea”, que reúne, pela primeira vez no país, mais de cem obras de 21 artistas que representam a complexidade e a variedade do extenso universo das artes gráficas norueguesas nos últimos 25 anos. O público poderá conferir a mostra entre os dias 11 de setembro e 25 de outubro de 2015, com entrada gratuita.

Além dos 21 artistas, cuidadosamente selecionados pelos curadores Dag Alveng e Magdalena Kotowska, a exposição contará com a presença de uma gravura de um dos mais aclamados artistas da história da arte. Edvard Munch, consagrado pelo emblemático quadro “O Grito”, teve outras importantes obras que marcaram sua trajetória. Dentre elas, destaca-se “O Beijo”, óleo sobre tela de 1895, em tons de azul, cinza e preto, uma imagem impregnada pelas obsessões do artista: a violência das relações, o sexo, a morte, a solidão, a melancolia e o terror das forças da natureza. Poucos sabem, mas a obra, além de pintura, tornou-se gravura, em 1902, e é uma das 20 originais existentes em todo o mundo.

Kotowska explica que, devido à localização geográfica, o núcleo dos esforços criativos e a inspiração na Noruega são uma relação muito tensa entre o homem e a natureza. “É o único país onde poderia ter nascido Edvard Munch, cujas xilogravuras pioneiras foram o ponto de partida na história da arte da gravura norueguesa, com o expressionismo continuando a impregnar gerações subsequentes de artistas, como matriz original”, afirma a curadora.

A exposição apresenta uma visão da gravura como expressão artística, por meio dos trabalhos de artistas noruegueses que se destacaram nos últimos anos. Dentre os nomes, estão Inger Sitter, Bjarne Melgaard, Ingrid Haukelidsaeter, Asmund Haukelidsaeter, Ornulf Opdahl, Kjell Nupen, Per Kleiva, Randi Annie Strand, Olav Christopher Jenssen, Per Inge Bjorlo, Hakon Bleken, Lars Elling, Jannik Abel, Anette Kierulf/Caroline Kierulf, Gunhild Vegge/Lasse Kolsrud, Cathrine Dahl/Orjan Aas, Dolk e Gro Lygre Petersen. Todos os artistas são ícones da arte da Noruega. As obras pertencem a coleções particulares e às galerias norueguesas Galleri Norske Grafikere e Galleri Kunstverket.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira, a exposição se insere no desejo que inspira a Casa Fiat de Cultura de transportar o visitante a outras culturas. “Fazemos deste espaço um portal de acesso do público às mais diversificadas manifestações artísticas e culturais. É certo que a Noruega nos desperta curiosidade, afinal, o que acontece entre os fiordes noruegueses? Esperamos que esta exposição demonstre um pouco disso para o nosso público”, ressalta.

A gravura consiste em uma forma artística com fortes tradições na Noruega, e que se desenvolveu de maneira independente, mas, também, em profundo diálogo com as tendências europeias e globais. A variedade estilística e os diversos formatos das obras expostas, desde as de formato pequeno e intimista até as de grandes dimensões, feitas em xilogravura, litografia, serigrafia e outras técnicas, atendem à mensagem concreta que cada um dos artistas incluiu em sua obra.

Segundo a curadora Magdalena Kotkowska, “as artes gráficas com as quais lidamos hoje demonstram o modo como a arte passa a ser parte dela mesma, uma forma de consciência, e como acumula um potencial de verdade, entendida não no sentido lógico, mas como sinal de convicção interna. Uma convicção que leva ao ‘reconhecimento’ da imagem fora da consciência do espectador, a despeito do fato de jamais tê-la visto”. Vem daí o título da exposição – Re-Conhecimento –, que se refere, por um lado, ao processo criativo do artista, e, por outro, à percepção do espectador, em cujo corpo a recepção, o reconhecimento e a interpretação das imagens se realizam de maneira vívida.

A exposição é uma realização da Casa Fiat de Cultura, com patrocínio do GRUPO SEGURADOR BB E MAPFRE, produção da ArtUnlimited, apoio da Embaixada da Noruega no Brasil, do Consulado Geral da Noruega, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, do Circuito Cultural Praça da Liberdade e do Governo do Estado de Minas Gerais.

Os artistas e suas obras

Inger Sitter, considerada pelo Conselho das Artes da Noruega como a maior artista do sexo feminino do país, apresenta três obras de grande formato na exposição, com destaque para grafismos vigorosos e explosivos, em cores que se estendem umas sobre as outras. Ingrid Haukelidsæter, por sua vez, tem como origem das formas criadas obras de artistas excepcionais da década de 1950 e 1960, como Franz Kline, Hans Hartung ou Gerard Schneider. A atenção do observador se volta a poderosas justaposições de cores, graças às quais as formas pulsam em um ritmo de energia explosiva.

Åsmund Haukelidsæter apresenta xilogravuras próximas do estruturalismo e do pensamento construtivista. Suas obras expostas são sutis, tecnicamente deliciosas, desenvolvidas em múltiplas camadas, impressionam o observador pela qualidade gráfica de arranjos lineares. Ørnulf Opdahl expressa-se por meio da litografia, inspirando-se na costa oeste e nos fiordes da Noruega, com criações de complexas estruturas paisagísticas. Já Kjell Nupen (1953 – 2014), grande pintor que trabalhou gravuras feitas em água-forte, litografia, granito, cerâmica, vidro emetal, desenvolveu sua própria linguagem visual expressionista com espaços insubstanciais, com referências diretas a Edvard Munch.

Per Kleiva é um artista versátil, que ganhou reconhecimento pela pintura e pela gravura, tendo estreado como artista politicamente radical na virada dos anos 1970, inspirado pelas obras de Andy Warhol, Jim Dine e Roy Lichtenstein. Tornou-se um dos mais notáveis criadores de arte pop na Noruega. Randi Annie Strand rompe com o entendimento comum de linguagem do observador, transcendendo suas rígidas estruturas e se envolvendo em reflexões epistemológicas sobre a natureza do conhecimento. Em alguns casos, opera entre o plano e a textura. Além disso, relevos monocromáticos são trazidos à vida pelo chiaroscuro.

Olav Christopher Jenssen, um dos artistas noruegueses mais aclamados internacionalmente na cena da arte contemporânea, apresenta expressionismo abstrato, assumindo, algumas vezes, formas orgânicas, e, em outras ocasiões, geométricas. Per Inge BJØRLO, com seus experimentos reveladores com diferentes materiais e processos, traz à mente as gravuras pioneiras de Edvard Munch. Um estudo da cabeça humana é motivo recorrente em sua obra. A partir de formas anarquistas e individualistas extremas, Bjarne Melgaard criou seu legado artístico, ao usar os objetos mais triviais e banais com serigrafias que apresentam fotos do artista como ficção autobiográfica e surrealista.

A linguagem formal de Håkon Bleken abrange amplo espectro de formas puramente abstratas, do cubismo à figuração. Já Lars Elling retém a suavidade e a delicadeza da pintura em representações figurativas. Jannik Abeltransforma palavras em imagem, assumindo a tangibilidade de um objeto, por meio de serigrafia e de técnicas mistas. As irmãs Annette Caroline Kierulf trabalham juntas, com processos e projetos comuns, desde meados da década de 1990. Suas imagens são altamente abertas à interpretação e usam a técnica da “serra tico-tico”, cuja invenção é, muitas vezes, atribuída a Edvard Munch.

A dupla Gunhild Vegge e Lasse Kolsrud apresenta, em suas obras, a observação perspicaz e irônica sobre os noruegueses. Já Cathrine Dahle Ørjan Aas trabalham gravuras conceituais, com simplificação da forma e simbolismo.Dolk é o pseudônimo do grafiteiro mais famoso da Noruega, que usa suspense, surpresa, humor e ironia. Gro Lygre Petersen trabalha no universo das gravuras, do desenho e da pintura, em combinação com textos, contando histórias e abordando as possibilidades bilaterais de uma mesma gravura.

Bem-vindo à Noruega

Ambientada com símbolos da Noruega, a mostra faz o público mergulhar em outro universo. A bandeira norueguesa recebe o visitante e o leva a um passeio por diferentes técnicas de gravura, em meio a um branco que remete ao frio da região, às suas luzes tão características e ao som de músicas do compositor norueguês Edvard Grieg.

Na primeira sala, o visitante poderá apreciar obras que apresentam um caráter mais gráfico e conceitual entre as gravuras. A simplicidade das cores e linhas está em destaque, abusando de relevos e tipografias. Cinco artistas com essas características estão ali reunidos: Olav Christopher Jenssen, Gro Lygre Petersen, Randi Annie Strand, Per Kleiva e Jannik Abel.

Na sequência, os artistas Bjarne Melgaard, Per Inge Bjorlo e a dupla Cathrine Dahl e Orjan Aas ganham atenção do público, com as obras mais performáticas e impactantes da exposição. Elas se destacam pela expressividade e são de artistas de grande renome internacional. Com salas que se fundem e estilos que se mesclam, o visitante conhece, em seguida, as obras com características figurativas e aspecto pop. Nesta sala, serão encontradas as gravuras do mais famoso grafiteiro norueguês, Dolk, além de obras de Gunhild Vegge e da dupla Anette e Caroline Kierulf.

Na sala ao lado, estão reunidas obras mais poéticas, com características pictóricas de Hakon Bleken, Lars Elling, Kjell Nupen e Ornulf Opdahl. As gravuras ali presentes contam uma história emocional, incluindo paisagens dos fiordes noruegueses e estilos românticos. Obras abstratas também marcam presença na mostra. A partir de gravuras de Inger Sitter, Bjarne Melgaard, Ingrid Haukelidsaeter e Asmund Haukelidsaeter, será possível apreciar obras gestuais, estruturais e cheias de interpretações pessoais do observador.

A galeria culmina com a xilogravura “O Beijo”, de Edvard Munch, artista homenageado da exposição, devido a sua importância para o ressurgimento da gravura no século XX.

A arte norueguesa

A arte na Noruega tornou-se efetivamente norueguesa apenas no século XIX, especialmente, com pinturas de paisagem, seguida do impressionismo, do expressionismo e do realismo. Antes disso, a cena artística na Noruega havia sido dominada por importações provenientes da Alemanha e da Holanda, e pela influência do domínio dinamarquês. Johan Christian Dahl (1788-1857), muitas vezes, é declarado como o “pai da pintura norueguesa de paisagem”. Depois de um período em Copenhague, o artista entrou para a escola de Dresden, na qual fez importante contribuição, ao pintar as paisagens daquele país, definindo a pintura norueguesa pela primeira vez. Outro importante colaborador foi Johannes Flintoe (1787-1870), pintor dinamarquês-norueguês, conhecido por suas paisagens norueguesas e pelas pinturas de trajes folclóricos. A recente independência da Noruega, antes pertencente à Dinamarca, incentivou pintores a desenvolver a identidade norueguesa.Embora o país tenha tido nomes de destaque no cenário artístico, como Kitty Kielland (1843-1914), Frits Thaulow (1847-1906), Thorolf Holmboe (1866-1935) e Nikolai Astrup (1880-1928), Edvard Munch foi o artista que mais se destacou no país, de modo a entrou para o hall dos grandes nomes da história da arte.

Edvard Munch, o precussor da gravura no século XX

Usada há muitos séculos, em várias partes do mundo, a gravura teve uma nova fase na Europa do século XX. Os precursores da técnica foram, principalmente, o norueguês Edvard Munch (1863-1944), o francês Paul Gauguin (1848-1903) e o suíço Felix Valloton (1865-1925). Ao seguir tais artistas, em 1906, os expressionistas alemães do grupo Die Brücke – Heckel, Nolde, Schimdt-Rottluf – e os fauvistas franceses Matisse, Derain, Dufy e Vlaminck elevaram a xilogravura a um nível de expressão extraordinário.

Edvard Munch foi imortalizado ao pintar, de forma impactante, a angústia e o desespero existencial na obra “O Grito”, de 1893, presente na Galeria Nacional de Oslo. Acredita-se que o artista, nascido em Løten, na Noruega, tenha vivido transtornos emocionais – familiares e amorosos – que resultaram em perturbações mentais, chegando a ser diagnosticado com grave neurastenia. A verdade é que conseguiu, de forma marcante, enfatizar a emoção humana como nunca. Após viver em Paris e conhecer as obras de Van Gogh e Gauguin, o artista mudou seu estilo e se tornou um dos grandes nomes do expressionismo, sendo capaz de traduzir em pinceladas os mais intensos sentimentos.

No que diz respeito às gravuras, teve grande interesse pela xilogravura. Trabalhando sozinho, Munch elevou o processo de impressão manual a uma forma de arte. A seleção da madeira e a exploração visual dos seus veios faziam parte de seu processo criativo. Ao fazer inúmeras provas em diferentes cores, realizou um trabalho raro para a época, e, mais do que qualquer outro artista de seu tempo, conseguiu retirar a xilogravura das suas restrições técnicas, resgatando esta antiga forma de expressão artística. O expressionismo foi, especialmente para as artes visuais, um berço de novas ideias conceituais e técnicas.

A mostra “Re-Conhecimento – A Gravura Norueguesa Contemporânea na Casa Fiat de Cultura” apresenta diversas técnicas de gravuras. Além de xilogravura, litografia, serigrafia, água-forte, estêncil e impressão em relevo cego, destaque para a técnica mista, na qual os procedimentos são combinados, para chegar ao resultado esperado pelo artista.

Xilogravura é a técnica na qual a madeira é usada como matriz, possibilitando a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro meio adequado. A madeira é entalhada com a ajuda de um objeto cortante, e, posteriormente, as partes elevadas do entalhe são embebidas de tinta, com a ajuda de um rolo. A tinta é então transferida para papel ou tecido, em procedimento semelhante ao de um carimbo. Na exposição, essa técnica é utilizada pelos artistas Per Inge Bjørlo, Caroline and Annette Kierulf, Cathrine Dahl and Ørjan Aas, Gunhild Vegge and Lasse Kolsrud, Åsmund Haukelidsæter e Edvard Munch.

Já a litografia é um método de gravura em que desenhos são criados em uma matriz (pedra calcária), com o auxílio de um material gorduroso. A base dessa técnica é o princípio da repulsão entre o óleo e a água. Com a pedra molhada, a tinta de impressão só adere às partes que contêm imagem e permite, sob pressão, a reprodução dessa imagem sobre papel ou outro material apropriado. Kjell Nupen, Lars Elling, Gro Petersen e Ingrid Haukelidsæter usam a técnica em suas obras.

Outro método presente é a serigrafia. Trata-se do processo de impressão no qual a tinta é vazada através de uma tela (matriz serigráfica), que possui regiões permeáveis e impermeáveis, de modo a formar desenhos sobre qualquer superfície (papel, tecidos, metal). A serigrafia está presente nas obras de Per Kleiva, Gro Petersen, Jannik Abel e Bjarne Melgaard.

Água-forte, menos popular entre os artistas, é uma modalidade de gravura feita por meio do uso de uma matriz metálica – normalmente, de ferro, zinco, cobre, alumínio ou latão. A técnica se dá a partir do revestimento da matriz com um verniz de proteção, seguido da aplicação do desenho que se deseja obter com o auxílio de um objeto cortante. A matriz é, então, imersa em ácido, que transforma os traços em sulcos onde a tinta será depositada. O artista Olav Christopher Jenssen faz uso dessa técnica em suas obras.

Por sua vez, o estêncil (stencil) é um método usado para aplicar uma imagem ou qualquer forma figurativa que possa ser delineada. O molde obtido é, então, utilizado para imprimir imagens em diversas superfícies, como concreto, metal, tecido, papel etc. O artista Dolk faz uso dessa técnica nas obras presentes na exposição.

Já o artista Randi Annie Strand utiliza a impressão em relevo cego em suas obras. Por meio de tal técnica, figuras e símbolos são impressos, em alto relevo, em materiais como papel. Suas formas protuberantes permitem que os contornos sejam perceptíveis ao tato.

Programa Educativo

O Programa Educativo é peça fundamental ao trabalho de valorização e de ampliação do conhecimento proporcionado pela Casa Fiat de Cultura a seu público. Para cada exposição, são idealizados uma temática e um conceito a serem trabalhados em visitas orientadas, oficinas, programação paralela, assessoria ao professor e outras atividades.

Na mostra “Re-Conhecimento – A Gravura Norueguesa Contemporânea na Casa Fiat de Cultura”, o Programa Educativo, que conta com coordenação da educadora Clarita Gonzaga, abordará três eixos diferentes. Os dois primeiros – “História, cultura e arte da Noruega” e “Geografia e cor local” – buscam contextualizar o público quanto aos aspectos históricos, culturais e artísticos do país escandinavo. Já “Técnicas de gravuras e artistas” apresenta, a partir das obras expostas na mostra, as técnicas usadas pelos artistas, além de revelar suas motivações em temáticas e estilos. “Dessa forma, o visitante sai das galerias com uma bagagem completa de informações acerca da exposição, que apresenta questões tão distantes da cultura brasileira”, explica a educadora.

A equipe de educadores está à disposição para atender todos os públicos: crianças, jovens, adultos, estudantes das redes pública e privada e grupos como associações e ONGs, dentre outros. O Programa é um dos diferenciais de suas visitas orientadas e um motivo a mais para conhecer a exposição “Re-Conhecimento – A Gravura Norueguesa Contemporânea na Casa Fiat de Cultura. O agendamento para grupos e escolas pode ser feito pelo telefone (31) 3289-8910.

Exposição “Re-Conhecimento – A gravura norueguesa contemporânea”

De 11 de setembro a 25 de outubro de 2015

Entrada Gratuita

Casa Fiat de Cultura

Circuito Cultural Praça da Liberdade

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

 

Informações

(31) 3289-8900

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