Como Chegar

Falando de Arte com Yara Tupynambá

A Casa Fiat de Cultura inicia, neste mês de agosto, o programa Falando de Arte com Yara Tupynambá, série de encontros entre o público e a artista plástica e professora, que analisará vida e obra de artistas que marcaram época. Cada ocasião contará com temática diferente, com abordagens sobre o contexto sociopolítico e as experiências pessoais que, possivelmente, influenciaram as criações artísticas dos grandes mestres. Os temas dos encontros, sempre realizados das 19h30 às 21h, serão “Mulheres Artistas” (10/08), “O Mundo Lírico” (24/08), “Visões diferentes do corpo” (14/09), “Brasilidade I” (21/09), “Brasilidade II” (5/10) e “Horrores de Guerra” (19/10). O curso é gratuito e aberto ao público, com limite de 40 pessoas por aula. Não é necessário fazer inscrição, pois a distribuição de senhas será feita uma hora antes do encontro.

Por meio da análise de ícones artísticos, Yara pretende mostrar como a arte trabalha a memória das coisas. “Tratarei da história do mundo, da coletividade e de nossas histórias particulares, inseridos neste mundo em determinada época, lugar e classe social. Costumo dizer que a arte é o grande documento da vida”, destaca a artista. Todas as aulas partirão dessa perspectiva, sem deixar de abrir espaço ao diálogo com o público, aos questionamentos e debates instigados pelos estudos da arte.

“Estamos sempre em busca de oferecer novas oportunidades de formação para nossos visitantes. Aprender e conversar sobre arte com uma das maiores artistas de Minas Gerais na atualidade é um privilégio que queremos dividir com nosso público”, afirma o Presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira.

Neste primeiro encontro, serão analisadas as obras de cinco artistas emblemáticas, de diferentes épocas.

Artemisia Gentileschi (Itália, século XVI – XVII): primeira mulher a entrar na Academia de Belas Artes de Florença. Pintora do estilo barroco, foi intensamente influenciada pelo mestre do gênero, Caravaggio.

Berthe Morisot (França, 1841 – 1895): grande representante do impressionismo francês e amiga do pintor Édouard Manet, do qual foi modelo para diversos quadros, a artista retratava, com frequência, em suas pinturas, o cotidiano de mulheres e crianças de seu meio social burguês.

Käthe Kollwitz (Alemanha, 1867 – 1945): desenhista, pintora, gravadora e escultora, tendo presenciado a 1ª Guerra Mundial, a artista apresenta a violência, a fome e a morte como temas recorrentes. Teve também expressiva atuação na defesa da classe operária.

Tamara de Lempicka (Polônia, 1898 – 1980): importante representante do Art déco, foi ícone da mulher moderna e livre na década de 1920, com pinturas que apresentavam sensualidade e um espírito transgressivo; sua obra também apresentou influências do cubismo.

Frida Kahlo (México, 1907 – 1954): ativista política, apaixonada pela cultura mexicana e questionadora dos padrões impostos às mulheres, sua obra é constituída, majoritariamente, por autorretratos que transmitem diversas fases de sua vida. A artista foi membro do Partido Comunista Mexicano, onde conheceu o pintor Diego Rivera, com quem foi casada.

No segundo encontro será analisado um recorte da obra de três artistas modernistas, telas nas quais suas raízes afetivas e culturais são apresentadas de forma onírica e poética.

Marc Chagall (Rússia, 1887 – 1985): quando se mudou para Paris (França), já artista, entrou em contato com as vanguardas modernistas. Mesmo longe de seu país, retratou sua aldeia natal com linguagem fantástica. Permanecendo neste estilo, ilustrou a famosa publicação das Fábulas de La Fontaine e uma edição da Bíblia.

Guignard (Brasil, 1896 – 1962): nascido no Rio de Janeiro, mas apaixonado por Minas Gerais, pintou muitas paisagens de cidades histórias mineiras, especialmente Ouro Preto. Com lirismo único, redescobre o barroco, unindo-o à influência de técnicas usadas nas aquarelas orientais.

Cícero Dias (Brasil, 1907 – 2003): natural de Pernambuco; em suas pinturas figurativas, o artista retrata, com frequência, a vida comum e as tradições de sua terra. Quadros com atmosfera de sonho mostram, nas palavras do próprio pintor, “o invisível e o visível”.

Serão apresentadas obras que envolvem o corpo humano, como as de David Hockney e Chuck Close, com destaque para:

Ron Mueck (Austrália, 1958): escultor do movimento hiper-realista, que significou o retorno da figuração plena na arte contemporânea na década de 1970. Utiliza resina, poliéster e fibra de vidro para criar figuras humanas gigantes. Suas esculturas enfatizam, com muita sensibilidade, as diversas fases da vida, desde a maternidade até a velhice.

Emma Hack (Austrália, 1972): suas obras são uma composição de pintura corporal e fotografia. A artista pinta corpos de modelos e os registra em um plano de fundo com o qual o corpo se mistura e camufla, ou se torna personagem de uma cena. Seu trabalho artístico é requisitado em campanhas publicitárias e até em clipes de música, como em “Somebody That I Used To Know” (2011), de Gotye.

Também será exibido um vídeo sobre a pintura corporal praticada por comunidades que vivem às margens do rio Omo, na África. Uma prática de longa tradição, que exprime o modo de viver e os conceitos estéticos dessas tribos, que se encontram entre a Etiópia, o Sudão o Quênia.

No encontro, será abordada a produção artística referente aos primeiros anos da presença europeia no Brasil, a partir de 1500, especialmente de Portugal e Holanda. Pinturas e xilogravuras marcadas pelas impressões estrangeiras sobre as terras recém-descobertas e, depois, pela mudança da estrutura social e econômica imposta aos índios que aqui habitavam e aos negros que foram trazidos como escravos. Desde Victor Meirelles, que retratou a primeira missa celebrada no Brasil, passando por Hans Staden e Theodore de Bry, que focaram na observação das tradições indígenas, até Albert Eckhout e Frans Post, que pintaram índios, mamelucos (miscigenação de índios e brancos), escravos, engenhos de açúcar, e especialmente a documentação da paisagem brasileira.

A presença dos jesuítas no Brasil, que vieram com a missão de evangelizar os povos que aqui viviam, também influenciou as artes, passando por gerações até os dias atuais. Com a fé cristã disseminada, houve grande produção de imagens religiosas feitas de barro, madeira e cerâmica. No encontro, também serão apresentados os trabalhos de Frei Agostinho da Piedade, Mestre Vitalino e Dona Isabel, ora documentando a religião, ora as tradições da vida

Será abordada a influência do estilo neoclássico trazido pela chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808. Dom João VI apoiou a Missão Artística Francesa, formada por artistas adeptos do Neoclassicismo, com o objetivo de introduzir o ensino acadêmico das artes no país. Debret e Rugendas foram grandes representantes do período, e retrataram, especialmente, a vida dos escravos: a posição social e econômica, o trabalho, os castigos sofridos e os costumes trazidos do continente africano. Dom Pedro II, sucessor da coroa, investiu em artistas que produziram peças de caráter histórico e militar, mostrando a evolução da busca pela liberdade, como o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo.

Ao longo do século XX, ganha força a produção artística que retrata o encontro de culturas e a miscigenação resultante da onda imigratória de famílias de baixa renda, principalmente da Itália, da Alemanha e do Japão, que vieram em busca de trabalho. Será apresentado como o árduo trabalho na agricultura, as carências e as tradições dos imigrantes, de seus descendentes e dos brasileiros em situação socioeconômica semelhante foram amplamente abordadas nas obras de Anita Malfatti, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Lasar Segall.

Por fim, a arte de rua ganha destaque. Na década de 1980, o grafite democratiza o acesso à arte, antes só encontrada em museus e traz profundas reflexões sobre a realidade brasileira. Será analisada a obra do grafiteiro, mundialmente conhecido, Eduardo Kobra.

As mazelas da guerra serão abordadas em obras de três grandes artistas.

Francisco de Goya (Espanha, 1746 – 1828): adepto do Romantismo, o pintor criou uma série de 82 gravuras de tom sombrio, chamada “Os Desastres da Guerra”, para retratar a Guerra da Independência Espanhola contra o domínio francês, em 1808. Sobre o mesmo período, pintou seus mais célebres quadros: “O Segundo de Maio de 1808”, que mostra o levantamento dos espanhóis contra os franceses, e “O Terceiro de Maio de 1808”, que retrata o fuzilamento dos rebeldes pelas tropas napoleônicas.

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973): maior representante do Cubismo, o artista retratou o bombardeio da cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939). Serão analisados, com detalhe, todos os elementos do quadro “Guernica” (1937).

Candido Portinari (1903 – 1962): considerado um dos maiores artistas brasileiros do século XX, tanto por sua produção estética quanto pela atuação consciente nos âmbitos cultural e político. Após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1940), o governo brasileiro encomenda uma obra com o artista para presentear a Organização das Nações Unidas (ONU), fundada logo após o término da guerra, e Portinari pinta os painéis “Guerra e Paz”.

Nascida em Montes Claros (MG), Yara é considerada a “primeira dama” da arte mineira. Sua primeira fase se caracteriza pelo desenho, mas foi a gravura que, de imediato, a fez conhecida. Sua figuração poética a fez produtora de centenas de quadros e murais arquitetônicos. Aos 18 anos, foi aluna do mestre Guignard e, depois, do grande gravurista Goeldi. Estudou no Pratt Institute de Nova York, foi professora de artes na Escola Guignard (Universidade Estadual de Minas Gerais) e na Escola de Belas Artes (Universidade Federal de Minas Gerais). A artista já realizou exposições nacionais e internacionais, foi condecorada por numerosas entidades culturais e históricas de Minas Gerais e tem 92 painéis e murais instalados pelo Brasil. Hoje, Yara conta com sete painéis tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico de Belo Horizonte, tem quatro livros publicados sobre sua obra e é professora na Maison Escola de Arte, em Belo Horizonte. Em 2016, a artista realizou exposição inédita na Casa Fiat de Cultura: “Yara Tupynambá – Pintando a Natureza”, sucesso de público e crítica.

Falando de Arte com Yara Tupynambá
Mulheres Artistas: 10 de agosto
O Mundo Lírico: 24 de agosto
Visões diferentes do corpo: 14 de setembro
Brasilidade I: 21 de setembro
Brasilidade II: 5 de outubro
Horrores de Guerra: 19 de outubro
19h30 às 21h
Entrada gratuita, com limite de 40 participantes
Distribuição de senhas a partir de 18h30

 

Casa Fiat de Cultura
Circuito Liberdade
Praça da Liberdade, 10, Funcionários – BH/MG
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

 

Informações
(31) 3289-8900
www.casafiatdecultura.com.br
casafiat@casafiat.com.br
facebook.com.br/casafiatdecultura
Instagram:@casafiatdecultura
Twitter: @casafiat
www.circuitoculturalliberdade.com.br

Balklänning Robe De Mariée Robe De Mariée Balklänning