Como Chegar

OLHAR E SER VISTO – A Figura Humana da Renascença ao Contemporâneo

Apresentação

Ao enfrentar seu batismo de fogo, há cinco anos, foi às portas do MASP que a Casa Fiat de Cultura foi bater, iniciando suas atividades com a exposição “Arte Italiana da Coleção do MASP na Casa Fiat de Cultura”. À acolhida entusiasmada do público a essa mostra tão bem curada se deve grande parte da tradição consolidada, para centenas de milhares de pessoas, de acorrer à nossa Casa sempre que uma nova exibição se instala. Na celebração de nosso quinto aniversário, nada mais justo, então, do que festejar essa parceria com a apresentação desse extraordinário recorte do museu paulistano, “Olhar e ser visto”.

Homenagem à parte, esta exposição traz consigo o fascínio que a imagem humana retratada exerce sobre as pessoas. A mitologia, a literatura, as ciências da mente, todas estão cheias de expressões sobre o misterioso poder do olhar do artista. Oscar Wilde fez seu personagem, o pintor Basil, assim se justificar pela recusa inicial de expor ao público o retrato de Gray: “Não porei o coração sob esse microscópio. Há muito de mim nesse retrato, Henry… Há demais!”

Olhar e ser visto, para a psicanálise, no conceito da chamada “função escópica”, são uma só coisa. Não escapou à psicanalista e crítica de arte Giovanna Bartucci o fato de que, para o pai da psicanálise, nessa dualidade, o olho não é mais fonte de visão, mas fonte da libido: “Não à toa, Freud entende que o binômio ‘olhar e ser-olhado’ é um binômio que não se separa.” Há muito sobre o que divagar, na contemplação dessas obras aqui acolhidas, e não faltarão ao público olhares novos sobre os olhares aqui exibidos.

Só nos resta agradecer ao MASP pela honrosa parceria; e a Minas Gerais pelo olhar carinhoso e cúmplice que tem dedicado ao nosso trabalho.

José Eduardo de Lima Pereira
Diretor Presidente

A Exposição

O retrato pertence a um dos mais antigos e ao mesmo tempo renovados gêneros da arte. Provém de um período histórico anterior mesmo à própria ideia de arte tal como hoje entendida, um conceito que remonta apenas ao início da primeira modernidade ocidental, localizada, com alguma flexibilidade, ao redor do final do século XIV. É a esse gênero ancestral que pertence aquela que é, muito provavelmente (e não importam os motivos), a mais famosa pintura existente: Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, capaz de, sozinha, levar multidões ao Museu do Louvre – mais de oito milhões de pessoas no ano passado, para ser mais exato.

O retrato procura responder a uma pergunta fundamental: quem sou eu, qual é afinal minha imagem, como me pareço? Essa é a pergunta básica que faz, a um artista, aquele que lhe encomenda um retrato, e essa foi e continua a ser a pergunta que muitos artistas fizeram e fazem a si mesmos. Nem mesmo a arte contemporânea foi capaz de abolir esse gênero. Pelo contrário. O ser humano continua a ser o primeiro objeto de reflexão e o primeiro espetáculo para si próprio. Nem mesmo o aparecimento da fotografia, e do cinema, foi capaz de abalar o lugar ocupado pelo retrato na pintura, que fascina com a variedade de modos pelos quais foi capaz de responder a essas perguntas.

Esta exposição mostra vários desses modos, desde aqueles que apresentam seus retratados como pessoas altivas e afirmativas àqueles, mais atuais, em que nos acostumamos a ver as pessoas “tais como realmente são”, quer dizer, na incerteza
de sua significação particular.

A parceria estabelecida entre o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e a FIAT há cinco anos, quando foi inaugurada a Casa Fiat de Cultura com uma exposição do acervo de pintura italiana deste museu, torna hoje possível que a experiência fundamental do retrato, assim como configurada nesta coleção, seja compartilhada com novos públicos. Não é uma tarefa fácil, nem um projeto evidente: obras cada vez mais frágeis, que requerem cuidados excepcionais para serem movidas, tornam cada vez mais rara essa oportunidade de ampliação de audiência, permitida pelo apoio e interesse da FIAT mediante os incentivos criados pelo Ministério da Cultura.

No momento em que a imagem pode circular tão livre e rapidamente quanto possível, pela Internet e outros veículos de transmissão, ter acesso à obra mesma, no original, é uma experiência cujo significado precisa ser ressaltado. É com um prazer especial que o MASP retorna agora à Casa Fiat de Cultura para participar da comemoração de seu aniversário em outra iniciativa essencial de colocação da arte ao alcance de um maior número de pessoas.

Teixeira Coelho
Curador-coordenador MASP

 

A Visita

Composta por 40 obras, Olhar e ser visto – A figura humana da renascença ao contemporâneo é, por si só, uma incrível oportunidade para apreciar a pintura de retratos, um dos principais gêneros da história da arte.

A exposição foi dividida em seis núcleos: O retrato da pompa; O recurso à cena; Eu mesmo; Retratos modernos; Retrato de ideias; Desconstrução. Conheça um pouco sobre cada uma dessas divisões.

O Retrato e a Pompa

Os primeiros retratos ditos autônomos surgem no século XIII e ganham impulso com a invenção da portátil tela de pano como suporte. Os retratos deste grupo são ditos “de aparato”. A imagem construída pelo artista deve ser impressionante, o retratado é mostrado como alguém especial, subtraído quase aos acidentes do efêmero. Daí serem de certo modo atemporais, não fosse pelas roupas que ajudam a configurar e situar os que as envergam.

Os retratados estão sobre fundo neutro (ou genérico, como na tela de Gainsborough) e se deixam ver em poses hieráticas, afirmativas, quer apareçam de corpo inteiro ou de meio corpo. São retratos de pessoas e também símbolos de alguma outra coisa, sobretudo do poder. Os primeiros retratos foram os da realeza, do alto clero e da aristocracia, donde serem naturalmente “de aparato”. Como em toda pintura de gênero, o que primeiro se retrata aqui é o próprio código a que a obra pertence – no caso, a ideia de pompa; o retratado é o meio para pintar-se a pompa em si mesma.

O Recurso à Cena

Os retratos deste grupo apresentam seus modelos junto a alguém mais ou a alguma outra coisa, fazendo alguma coisa, representando alguma coisa – compõem, com as outras pessoas ou coisas representadas, uma cena que lhes empresta ou sugere uma qualidade específica.

De algum modo, todo retrato compõe uma cena, em particular os retratos de aparato; aqui, porém, a cena é mais explícita e ampla e a narrativa que propõe é mais extensa, se não mais complexa.

Eu Mesmo

O retrato “convencional” é uma representação extraída diretamente da vida (ritrarre). Seu oposto, o retrato que se serve do imitare, é um acréscimo à vida, gera algo que não existia antes e que, portanto, não é uma reapresentação, mas uma apresentação pela primeira vez, uma presentificação – só existe no presente da arte que o propõe.

A pessoa real que serviu para a representação pode ou não aparecer tal qual na obra. O que a obra retrata, antes, são ideias (estéticas, sociais, psicológicas). Tais obras se servem das pessoas para pôr em cena as ideias (uma família, um casal, uma profissão, uma atividade, uma situação, uma emoção).

Em arte, de fato, nunca é diferente. Mas nesse grupo, o compromisso com as ideias e os ideais por cima da pessoa representada é ainda mais destacado.

Retrato de Idéias

Atração narcisista pela própria imagem; tentativa de sair de si mesmo para enfim ver-se melhor, ver-se de outro modo; a simples comodidade de ser o modelo mais disponível; no início de sua história, esforço do artista para que o vissem como aqueles que ele próprio retratava, isto é, como um membro das classes altas, das profissões liberais (intelectuais), e não das manuais, que dependiam do esforço físico: tudo isso se encontra na origem e na história do autorretrato.

Aqui, o espelho de que se serve o artista, por mais polido que seja, revela-se opaco ou tem um grau de refração que o torna inútil – porque reflete tanto o retratado quanto quem o mira.

Retratos Modernos

Aqui, à primeira vista, os retratos são das pessoas elas mesmas, mais do que de alguma coisa que esteja por trás delas, que representem e na qual se amparem. O que se representa são elas mesmas e não o eventual poder que tenham ou objeto ou ser que as definam.

Mas, por maior que seja a verossimilhança, em muitas destas telas predomina uma sensação de estranheza – mesmo que se ofereçam nuamente ao olhar, tampouco qui elas se revelam de todo, expõem-se. Tanto quanto a pessoa, o que se vê é a persona, a máscara que os retratados usam para se deixarem ver (quando não para se verem).

De certo modo, essa é uma qualidade da maioria dos retratos; neste grupo, porém, o tom é mais acentuado, porque nenhum objeto de contexto ou símbolo sugerido vem em socorro do retratado – ou de quem o observa.

Desconstrução

Com a arte moderna do final do século XIX, a figura – e com ela a identidade – vai-se desfazendo e vai sendo substituída por outra coisa. Picasso apresenta uma evidência exemplar desse modo, decompondo a cabeça da personagem numa multiplicidade de fragmentos, cuja soma é maior que o todo.

Ao lado, Flávio de Carvalho e Chemiakin adotam procedimentos diferentes, que convergem, no entanto, para o mesmo fim: o retratado desaparece em favor da retratação da própria arte, da estética do artista, para quem o retratado é apenas um pretexto e nem de longe o mais importante. A representação do que está fora da arte chegou a seu fim.

Educativo

A principal diretriz do Serviço Educativo da exposição Olhar e ser visto envolve a valorização dos saberes dos visitantes. É um convite à observação e à crítica num ambiente propício ao diálogo.

O objetivo é acolher, instigar, estimular um olhar mais atento, mais curioso. Dessa forma o Serviço Educativo da exposição Olhar e ser visto estará aberto à percepção dos visitantes, propondo diálogos a partir da observação das obras em todos os seus aspectos, partindo de pontos trazidos pelos grupos, independentemente de idade, nível de ensino ou conhecimentos em Arte.

O Serviço Educativo da exposição Olhar e ser visto acolhe todos os públicos na Casa Fiat de Cultura. Visitas Orientadas para grupos, Visitas Temáticas e Visitas para Famílias estão programadas para todo o período da exposição. Os ciclos de palestras e de cinema completam a programação com convidados e títulos para quem quer saber mais sobre a exposição, seu tema, seus artistas.

Normas de Visitação

* Não é permitido fotografar ou filmar a exposição, com ou sem flash

• Não é permitido falar ao celular dentro das galerias, bem como enviar torpedos

• Não é permitido tocar nas obras.

• Não é permitido ultrapassar o nicho de segurança para ver as obras

• Bolsas, mochilas, pastas e similares devem ser deixados no guarda-volumes

• Não é permitido mascar chicletes, comer ou beber no recinto das exposições

• Pede-se a gentileza de falar e movimentar-se com moderação nos espaços expositivos

• Pede-se a gentileza de respeitar e seguir as orientações da equipe da Casa Fiat de Cultura

Agendamento de Visitas Orientadas

(31) 3289-8911

 

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