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SAGOMA

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CASA FIAT DE CULTURA ABRE PROGRAMAÇÃO DE MOSTRAS DE 2021 COM “SAGOMA”, NA PICCOLA GALLERIA

Exposição de Henrique Detomi ressignifica paisagens naturais em pinturas e esculturas que combinam formas fluídas e espaços vazios e traz paisagens naturais e artificiais

Dissecar a relação afetiva com os espaços naturais e urbanos, ao mesmo tempo em que discute o que é natural ou artificial e a interferência dos homens com a paisagem a seu redor, são algumas das reflexões propostas por “SAGOMA”, mostra que abre o calendário expositivo da Casa Fiat de Cultura de 2021. De autoria do belo-horizontino Henrique Detomi, com curadoria de Marina Câmara e João Guilherme Dayrell, a mostra fica em cartaz de 26 de janeiro a 15 de março, e apresenta paisagens naturais e artificiais, ressignificadas pelo olhar do artista. A mostra é composta por 12 obras, sendo 10 pinturas em óleo sobre tela e madeira e duas esculturas em terra e ferro. A exposição está montada no espaço da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura e poderá ser vista pelo público de forma virtual, por meio de percursos em vídeo, mediações online e conteúdos especiais criados pela equipe da instituição em conjunto com o artista. No dia 26 de janeiro, às 19h, a Casa Fiat de Cultura realiza um bate-papo online ao vivo com o artista plástico Henrique Detomi. Inscrições gratuitas pela Sympla.

O título da exposição — a palavra italiana sagoma — significa silhueta ou contorno. E essa é, justamente, uma das características marcantes nas obras, que têm uma área específica, composta apenas pela forma. Esse contraste entre as texturas aveludadas das pinturas e dos espaços vazios traz à tona a discussão central de “SAGOMA”: as diferenças e semelhanças das paisagens artificiais e naturais, mediante a ação humana; a noção do homem de localização e ocupação, e como ele interage com a natureza e modifica o cenário ao redor. “Os recortes introduzidos em minha pintura ganham magnitude de síntese conceitual dentro do âmbito da paisagem e expandem, principalmente nesta exposição, para o espaço físico, tornando-se, além de silhueta, um espaço vazio dentro da obra, que, contudo, ocupa e preenche nossos imaginários”, observa Henrique Detomi.

A pesquisa pictórica do artista surge a partir de uma investigação pessoal sobre a paisagem, ainda em 2014. Detomi realizou uma série de caminhadas no interior de Minas Gerais. Esse contato com a natureza foi a base para o desenvolvimento das obras. Mas elas não são reproduções do que os olhos viram. Foram realizadas em ateliê e buscam representar os sentimentos que Detomi viveu ao passar por esses lugares. “A partir dessa experimentação do espaço natural, percebo mais amplamente a interferência humana nessas paisagens. Ao me colocar em situações diversas, percebo os limites culturais que me impedem de ter uma relação afetiva com o espaço e as formas com as quais, por um outro lado, me identifico como habitante tanto do espaço natural quanto do espaço urbano”, reflete Henrique Detomi, ao destacar como a paisagem acaba se tornando um lugar de confrontação pessoal, em que é preciso sair de um espaço estável para encarar o acaso e o estranho.

A mostra “SAGOMA” integra o ciclo de exposições do 3º Programa de Seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura e é uma realização do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e da Casa Fiat de Cultura, com o patrocínio da Stellantis, do Banco Safra, e copatrocínio de Expresso Nepomuceno, Grupo Sada e Banco Fidis. A exposição conta com apoio cultural dos Amigos da Casa, Brose do Brasil, Brembo, e apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal.

Texto Curatorial

Sagoma, termo que em italiano quer dizer tanto “silhueta” quanto “molde”, intitula a presente exposição do artista Henrique Detomi, na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura. A mostra traz parte de sua produção em pintura a óleo sobre madeira e outras superfícies, além de esculturas. Estes trabalhos são fruto da pesquisa do artista acerca das questões dos suportes e da linguagem.

A relação feita por Detomi entre pintura e escultura parte de um mesmo projeto conceitual, o qual dá a ver uma forma que, com a licença do paradoxo, presentifica certas ausências. Nas paisagens pintadas identificam-se matizes telúricos, com preponderantes tons de marrom, interrompidos por cortes mais ou menos geométricos que geram imensas lacunas. As ausências vistas nas pinturas – as lacunas – são resultado do uso de máscaras, sendo feitas, assim como determinada prática escultórica, “por remoção”. Já os objetos escultóricos expostos se dividem em dois elementos: uma espécie de monólito em cujo centro se exibe uma cavidade, localizado num canto da galeria e que é confrontado, no lado oposto, por outro elemento escultórico, de mesmo material. A sutil provocação do artista faz com que nosso olhar, tendo passado pelas pinturas, possa ingenuamente supor que um objeto escultórico faça as vezes do “preenchimento” da parte que falta ao outro. Esse jogo diz, no entanto, de faltas enquanto como marcas irredutíveis, não equiparáveis.

A paisagem, vale lembrar, é um gênero pictórico concebido como retratação do “real natural”, ou seja, produz “porções de espaço delimitadas por uma janela pictórica”, como sugeriu Marcos Hill (2017) ao parafrasear Alain Roger. No entanto, desde o primeiro momento em que ela aparece como protagonista em pintura, especialmente no ciclo de afrescos “Alegoria e Efeitos do Bom e do Mal Governo” (1338-1339), de Ambrogio Lorenzetti – ainda hoje conservados em Siena, na Itália –, a paisagem é um instrumento normativo de definição do imaginário acerca do mundo. O que quer dizer que sua distância da imprevisibilidade e inconstância inerentes à natureza faz com que seu retrato desdobre de maneira linear um esquema pré-determinado cujo significado, portanto, já está dado, como notou Rosalind Krauss (1973). Ou seja, a paisagem é verossimilhança, isto é, a produção de uma imagem que corresponde não ao que o mundo é, mas ao que ele deve ser.

Henrique Detomi, ao entrelaçar artificial e natural no interior da paisagem dos trabalhos de “SAGOMA” lança uma solução ao mesmo tempo plástica e pictórica para o problema da construção-condução do imaginário – que é, aliás, também um problema político contemporâneo. De certo que, numa primeira impressão, a fantasmagoria dos cortes nas telas, assim como a lacuna no monólito de terra, poderia remeter à ação predatória do homem sobre o ambiente, como na mineração. Isto, como o encaixe das porções de terra na citada escultura, poderia, toda via, seguir como sugestão, mas não leitura última. Afinal, se os fragmentos são irredutíveis uns aos outros, eles permanecem incompletos, tornando-se silhueta, ou seja, um contorno traçado a partir de uma sombra, de um resíduo: e, neste sentido, é como se a obra gerasse antes máscaras que realidades objetivas ou desejáveis. Com isto, de uma crítica ambiental e circunscrita passamos a uma epistemológica, pois não é (somente) a ação predatória do homem que está em jogo, mas a própria ideia de paisagem, ou, enfim, de natureza – da qual a destruição do mundo, ressalva-se, poderia ser uma das manifestações.

Se, finalmente, os cortes nos panoramas fazem o mundo escapar ao observador, as porções de terra, mesmo com suas arestas um tanto lapidadas, não são daí decorrentes, sendo incertas suas origens. Assim “SAGOMA”, de Henrique Detomi, produz imagens e volumes nos quais homem e ambiente não se dividem entre sujeito e objeto, forma e fundo, simulacro e ideia, aparência e essência, natureza e história; mas são partes, dispostas horizontalmente, sem um todo. O que nos impede de situar e nos faz perguntar – quem é a silhueta de quem?

Marina Câmara e João Guilherme Dayrell

Exposição

 

Foto Henrique Detomi

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Foto Henrique Detomi

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Foto Henrique Detomi

 

Foto Henrique Detomi

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Foto Leo Lara/Studio Cerri

 

Obras

 

Fotos das pinturas: Henrique Detomi
Fotos das esculturas: Leo Lara/Studio Cerri

 

Pequena ode ao vazio
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2019
85 cm x 65 cm x 3 cm

 

 

Pequena ode ao vazio
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2019
30 cm x 35 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2018
30 cm x 35 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2018
65 cm x 85 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e Gesso crê sobre tela
2019
30 cm x 35 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2018
30 cm x 35 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e gesso crê sobre tela
2021
30 cm x 35 cm x 3 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e bolo armênio sobre madeira
2021
10 cm x 11 cm x 2 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e cola de pele de coelho sobre madeira
2021
9,5 cm x 9,5 cm x 4 cm

 

 

Minutos Antes do fim
Henrique Detomi
Óleo e cola de pele de coelho sobre madeira
2021
9,5 cm x 12 cm x 2 cm

 

 

Sem título
Henrique Detomi
Escultura de terra e ferro
2021
Dimensões variadas

 

 

Sem título
Henrique Detomi
Escultura de terra e ferro
2021
50 x 50 x 50 cm

Sobre as Obras

Com curadoria de Marina Câmara e João Guilherme Dayrell, “SAGOMA” é um recorte das pinturas mais recentes de Detomi e uma incursão no mundo da escultura, formato que o artista apresenta pela primeira vez. As duas manifestações artísticas estão integradas dentro da proposta expositiva e estabelecem uma relação que produz novas interpretações por parte do público.

As esculturas serão instaladas na parede do fundo e na parede de vidro, na entrada da Piccola Galleria, criando um diálogo em um espaço retangular, que, visto de cima ou pela lateral, criam um contorno geométrico perfeito, que participa da identidade visual e conceitual das obras.

Em cada uma das dez pinturas e nas duas esculturas, poderá ser vista uma forma que, ao mesmo tempo que está ausente, se faz muito presente. Essas lacunas, que ora parecem um monólito, ora uma forma mais abstrata, configuram a “SAGOMA” de Detomi, conduzindo o observador a reflexões contemporâneas sobre a interferência humana no interior da paisagem, a partir de soluções plásticas e pictóricas.

Detomi esclarece e sintetiza o conceito chave que perpassa as dez obras de “SAGOMA”: “O artista, tanto quanto o viajante, tem na memória e na imaginação a sua maneira ímpar de dizer sobre aquilo que é a paisagem, subjetivamente. Tenho interesse em entender a paisagem como uma relação físico/mental entre a pessoa e o mundo”.

Henrique Detomi

Henrique Detomi é natural de Belo Horizonte e vive e trabalha na cidade de São Paulo, onde está localizado seu ateliê.

Formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), é Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes de São Paulo (ECA-USP). Já participou de exposições coletivas e individuais em Belo Horizonte, Ouro Preto, Itabirito, São Paulo, Ribeirão Preto, Itajaí, Londrina e Brasília.

Vídeo do Artista: SAGOMA por Henrique Detomi

 

Bate-papo com o Artista

No dia 26 de janeiro, às 19h, a Casa Fiat de Cultura realiza um bate-papo online ao vivo com o artista plástico Henrique Detomi, para abrir a programação de exposições 2021 da Casa Fiat de Cultura. O artista fala sobre as técnicas usadas, suas vivências e inspirações para construir seus projetos. Inscrições gratuitas pela Sympla.

⇒ Confira a gravação da transmissão:

Ações Educativas

Para ampliar as discussões inerentes à temática e às obras de “SAGOMA”, o Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura preparou uma programação especial, que será realizada paralelamente, durante o período expositivo da mostra.

Nos dias 4, 11, 18 e 25 de fevereiro, e nos dias 4 e 11 de março, uma vez por semana, sempre às quintas-feiras, as educadoras da Casa Fiat de Cultura farão visitas virtuais à mostra, sempre com participação gratuita, mediante inscrição pela Sympla. As visitas virtuais dos dias 25 de fevereiro e 11 de março serão realizadas com mediação em Libras, e transmissão ao vivo.

No mês de março, será ministrado o minicurso “Introdução à Arte Contemporânea”, que leva ao grande público ferramentas para dialogar com as diversas manifestações estéticas de nosso tempo. Serão abordados os seguintes tópicos: conceitos, história, linguagens e principais artistas. As aulas ficarão disponíveis no YouTube da Casa Fiat de Cultura. No mesmo mês, será lançado o Caderno Educativo “Arte Contemporânea: abordagens para a sala de aula”, que deverá fornecer, aos educadores, ferramentas e estratégias que possibilitam o desenvolvimento desses conteúdos no ambiente escolar. O material será disponibilizado no “Espaço da Professora e do Professor”, no site da Casa Fiat de Cultura.

Piccola Galleria

O espaço é destinado a artistas da cena contemporânea e foi criado em 2016, com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. Os artistas são selecionados por uma comissão de especialistas, que, nesta 3ª edição, foi integrada pelo curador Marconi Drummond, pela artista plástica Nydia Negromonte e pelo arquiteto Paulo Waisberg. A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros.

A Casa Fiat de Cultura também realizou, em 2020, o 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria e os artistas selecionados começam a exibir os trabalhos em março de 2021.

Nas quatro edições, a Piccola Galleria recebeu 424 inscrições, e, entre 2016 e 2020, já apresentou o trabalho de 18 artistas, 248 obras de arte, e recebeu mais de 150 mil visitantes. A sala expositiva é um ambiente dedicado às artes visuais e sua criação marcou os 10 anos da Casa Fiat de Cultura. Situado ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no hall principal da Casa Fiat de Cultura, o espaço é destinado a exposições de curta duração, mas com toda a visibilidade que a instituição enseja. Local intimista e com grande circulação de público, conta com a chancela da Casa Fiat de Cultura e do Circuito Liberdade, um dos mais importantes corredores culturais do país.

Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braile e atendimento em libras. Mais de 60 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 14 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 2,7 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 550 mil participaram de suas atividades educativas.

Serviço

Exposição SAGOMA – Henrique Detomi na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura

Curadoria Marina Câmara e João Guilherme Dayrell

26 de janeiro a 15 de março

Programação Virtual

Visitas virtuais agendadas: sempre às quintas-feiras, com inscrição gratuita pela Sympla. Dias 4/02 (10h), 11/02 (16h), 18/02 (10h), 25/02 (16h, com Libras), 4/03 (10h) e 11/03 (16h, com Libras).

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